terça-feira, 11 de maio de 2010

Ser mãe ... o lado de cá


Este texto encontrei no blog 100nada - autoria de Rititi (autora Portuguesa)... gostei tanto q resolvi publicar aqui... é longo, está no português de Portugal (rs) mas a leitura é ótima!!! Destaquei a parte que mais amei !!!




"Eu percebo perfeitamente.

Antes de ser mãe, achava as gajas todas que eram mães umas chatas de galochas. Não havia a mais pequena paciência para aquilo, para as conversas, as discussões, a concorrência feroz (o meu já anda, ah mas o meu tem quatro dentes, mas o meu já fala e o lado negativo, pior ainda, o quê, o teu ainda não fala? ah mas o meu com essa idade já dizia imensa coisa, o teu não tem dentes? já o levaste ao pediatra? olha que isso não é normal, tu dás sopas com sal??? mas isso faz imenso mal! iadaiaidaiadaiada) entre as mães, a mostra das roupas novas (olha o que eu comprei para a não sei quantas, o xiripiti, não achas o máximo? são uns babetes à prova de bala, reforçados com amianto, como o amianto é proibido? tás parva, isto é da marca xpto, eles só fazem coisas bestiais para as crianças e iadaiadaiadaiada), enfim, todas as secas que apanhei e foram muitas mesmo, já que fui mãe depois de ter idade para ter juízo, ainda tendo que apanhar com todas as piadas de tias, avós, primas e quejiandos, sobre a falta de filhos, o tempo e os relógios biológicos, a ameaça imensa do ainda ficas para tia até chegar à altura em que fiquei para tia e o mundo exterior, abanando a cabeça (esta não tem nem vai ter nunca juízo nenhum), desistiu de me tentar convencer que ter filhos era uma obrigação, o destino das mulheres e nada mais havia senão parir e criar criancinhas para a felicidade plena.


Fiquei para tia, continuei sem juízo e vivi todos os copos, noites em branco, esplanadas de madrugada, dias a trabalhar com directas em cima, amigos e fins de semana marados e viagens e idas e vindas e namorados e maluqueiras e bebedeiras e vómitos e entradas em casa de gatas e guiar a ver quatro estradas, enfim, acho que fiz tudo o que me deu na cabeça, me apeteceu e que achei bem ou achei mal, mas fiz à mesma.

E depois tive um filho.

Que a maternidade muda as pessoas é dizer pouco. Não há nada que mude tanto uma pessoa. Muda mesmo, é assim, nada a fazer. Não me falem em hormonas ou instintos ou o caneco: se calhar é só mesmo uma glândulazinha que nos faz ficar assim, talvez.

É uma explicação simplista, fácil de aceitar, uma boa desculpa. É sempre fácil arranjar boas desculpas, mas eu recuso-me a aceitá-las, a desculpar-me com o instinto, com a falta de tempo que a vida de mãe traz, com tudo isso que sim, existe, mas não é só e não é isso.

Há coisas para as quais não vale a pena inventar razões e o amor é uma delas.

Acontece.

Toda a gente sabe o que é uma paixão, não é preciso explicar o que é, toda a gente aceita que as pessoas se apaixonem, que o objecto da paixão e do amor passe a ser prioritário, que se tente estar com aquela pessoa o tempo possível e o impossível.

Ter um filho é isso e muito mais.

É não só apaixonarmo-nos por um ser humano, total, irreversível e perdidamente, como sermos correspondidos com um amor absolutamente absurdo, carente, dependente, fixo em nós, com antenas, com ciúmes, com garras que não largam.

Há quem diga que não nos apaixonamos por alguém em concreto, por qualidades escolhidas ou defeitos que não queremos, mas pelo amor em si (provavelmente por isso é que tantas vezes dá para o torto). No caso de um filho, talvez seja um pouco assim, não sei. O que sei é que é um amor completamente diferente de todos os que senti durante a minha vida.

É um amor que não se quer para nós, mas para eles, para os objectos do nosso amor: é querer tudo para aquela pessoa pequena.

É esquecermo-nos de nós, porque aquele amor é maior que nós. E é isso que nos muda a maneira de ser, o egoísmo intrínseco de todos os seres humanos.

É isso que muda, que nos muda, deixamos de ser tão egoístas, tão centrados em nós, no nosso bem estar, na nossa vidinha. Não ficamos melhores pessoas que as outras: ficamos melhores do que éramos.

Eu pelo menos fiquei. E claro, com isso vem o resto: tornamo-nos umas chatas que não sabem falar de outra coisa.

2 comentários:

Unknown disse...

Oii Amanda,

Adorei o texto, é muuuito interessante como a maternidade muda a gente e como as pessoas veem esa fase também!

Sua barriga tá grandonaaa! Linda!

Beeijos!

Pam Salzgeber disse...

hahaaha, lindooo , texto maravilhoso, e maternidade não nos faz melhor que outras pessoas, mas sim melhor do que éramos.
Adorei.

AI O AMOR DE MÃEEEE rs

Beijocas